Muito Além do Ecoturismo: A História de Resistência Quilombola por Trás do Nome ‘Label’

Quem visita a Cachoeira do Label costuma ir em busca dos impressionantes 187 metros de queda livre, dos poços de águas esverdeadas e da imponência da Serra do Paranã. O que muitos não imaginam é que cada passo dado nessa trilha pisa sobre séculos de história, ancestralidade e uma das jornadas de resistência mais bonitas do Brasil: a memória quilombola da região.

Para compreender a alma desse santuário ecológico localizado em São João d’Aliança (GO), é preciso olhar para o passado e entender a origem de um nome que carrega muito orgulho.

O Refúgio na Serra do Paranã

O imponente complexo montanhoso que hoje abriga a reserva e atrai ecoturistas do mundo inteiro já serviu como um cenário de libertação. Durante os séculos XVIII e XIX, o relevo acidentado, os cânions profundos e as densas matas da Chapada dos Veadeiros — particularmente na região de São João d’Aliança e Cavalcante — tornaram-se o refúgio perfeito para homens e mulheres escravizados que ousavam buscar a liberdade.

Ali, em meio ao isolamento geográfico protegido pelos paredões de pedra, formaram-se diversos quilombos. A própria natureza, com sua geografia desafiadora, era a maior aliada da resistência contra os capitães do mato.

De "Labéu" a "Label": A Resignificação do Nome

O imponente complexo montanhoso que hoje abriga a reserva e atrai ecoturistas do mundo inteiro já serviu como um cenário de libertação. Durante os séculos XVIII e XIX, o relevo acidentado, os cânions profundos e as densas matas da Chapada dos Veadeiros — particularmente na região de São João d’Aliança e Cavalcante — tornaram-se o refúgio perfeito para homens e mulheres escravizados que ousavam buscar a liberdade.

Ali, em meio ao isolamento geográfico protegido pelos paredões de pedra, formaram-se diversos quilombos. A própria natureza, com sua geografia desafiadora, era a maior aliada da resistência contra os capitães do mato.

A palavra que dá nome à cachoeira tem raízes profundas nessa história. Originalmente, o termo correto na língua portuguesa é “labéu”, que historicamente significa mancha, afronta, desonra ou vergonha.

Na época da escravidão, o termo era pejorativamente associado pela elite colonial aos locais de refúgio e às populações negras que resistiam ao sistema opressor, como se aquela busca por liberdade fosse uma “mancha” ou uma “afronta” à ordem vigente da sociedade.

O tempo passou e a comunidade local ressignificou a palavra. O som de “Labéu” transformou-se na identidade própria do atrativo: Label. A afronta virou orgulho; o antigo refúgio de dor e sobrevivência transformou-se em um símbolo de preservação ambiental, respeito à ancestralidade e dignidade.

Preservando o Patrimônio Natural e Cultural

Hoje, a Cachoeira do Label está protegida sob o título de RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). Isso significa que, além de cuidar das nascentes, da fauna e da flora do Cerrado, a reserva tem o compromisso moral de proteger a memória desse território.

Quando você caminha por entre as passarelas, escuta o rugido da maior queda de Goiás e sente a energia dos antigos paredões rochosos, você está vivenciando um pedaço vivo da história do Brasil.

Visitar a Label é praticar um ecoturismo consciente, que vai além do banho de cachoeira: é reconhecer e honrar a força de um povo que escolheu a grandeza dessas montanhas para ecoar o seu grito de liberdade.

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